O Palhaço
Antes quis seduzir-te...
Desanimei.
A verdade?
Não vi resultado.
Pensei:
— Vale o esforço?
Não sei...
E continuei meu passo.
Canso-me, às vezes,
de ser um palhaço
num
circo vazio,
imenso de espaço.
Ergui os dois braços ao vento
e disse a
mim mesmo:
— Será preguiça?
Cansaço?
Quem sabe...
Fui deitar em soluços.
Pus meus sonhos de bruços.
Abracei-me.
Dormi.
Não sonhei.
Madrugada de vento.
Lua sem brilho.
Silêncio...
Um grilo.
Ao virar-me,
encontrei teu abraço.
Sem pressa ou promessa.
Sem motivo.
Sem lei.
E aquele palhaço,
cansado,
ainda em
soluço,
virou-se a teu lado
e te amei.
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