terça-feira, 14 de julho de 2026

Hasta las Piedras, Monca!

 

 Hasta las Piedras, Monca!

Há histórias que eu conto com facilidade. Algumas até exagero um pouco, acrescento um detalhe aqui, outro ali, apenas para provocar uma risada. Outras vão ficando esquecidas, cobertas pela poeira dos anos, até que um cheiro qualquer, uma música ou uma palavra as trazem de volta. Esta não. Esta nunca foi embora. Ela continua comigo desde aquele inverno que virou primavera, depois verão, e até hoje, quando paro num semáforo em Welland e vejo um mexicano pedalando uma bicicleta velha em direção ao Value Village, por um segundo eu ainda procuro aquele rosto moreno, aquele sorriso largo e aquela voz grave que sempre chegava antes dele.

"¡Hola, familia! ¿Qué tal?"

Às vezes penso que essa história é sobre um homem chamado Alfredo Moncada. Outras vezes acho que ela é sobre liderança. Em alguns dias tenho certeza de que ela é sobre amizade. Nos dias mais difíceis, porém, ela é apenas sobre mim. Sobre um homem que descobriu, tarde demais, que nem sempre é possível proteger ao mesmo tempo um amigo, a própria consciência e a família que o espera em casa.

Ainda hoje não sei se fui covarde ou apenas humano.


Quando cheguei ao Canadá, eu ainda enxergava aqueles trabalhadores mexicanos quase como um grupo uniforme. Eram muitos. Vinham todos os anos pelo mesmo programa, falavam espanhol entre si, trabalhavam como poucos homens que já conheci e, quando a temporada terminava, desapareciam tão rapidamente quanto haviam chegado. Bastaram alguns meses para eu perceber como estava errado.

Cada um trazia uma história inteira escondida dentro de uma mochila.

Alguns construíam casas no México. Outros pagavam a universidade dos filhos. Havia quem sustentasse os pais idosos, quem pagasse tratamentos médicos, quem juntasse dinheiro para comprar algumas vacas ou um pequeno pedaço de terra. Todos tinham um motivo para suportar oito meses longe de casa.

E havia o Monca.

Não me lembro da primeira conversa que tivemos. Curiosamente, nunca lembro das primeiras conversas importantes da minha vida. Elas costumam começar falando sobre alguma bobagem e, quando percebemos, já fazem parte da nossa história.

O Monca era impossível de ignorar.

Falava alto.

Cantava.

Gesticulava como se brigasse com o vento.

À distância, muitas vezes eu sabia exatamente onde ele estava apenas pelo som da sua voz. Era daqueles homens que conseguem transformar um trabalho pesado em alguma coisa um pouco mais leve simplesmente porque não suportam o silêncio.

Com o tempo, fui descobrindo outras coisas.

Tinha uma filha com uma síndrome gravíssima, praticamente sem movimentos. Todos os anos a deixava no México para passar oito meses plantando árvores num país onde o inverno parecia não terminar nunca. Nunca o ouvi reclamar da vida. Contava da filha com uma mistura difícil de explicar. Orgulho, amor, preocupação... e um certo cuidado ao observar a reação das pessoas, como quem ainda esperava descobrir se elas enxergariam primeiro a menina ou a deficiência.

Talvez por isso eu nunca tenha conseguido sentir pena dele.

Sentia respeito.




Os depoimentos terminaram e, para minha surpresa, o Monca e o Lauro voltaram a trabalhar normalmente na segunda-feira. Aquilo me deu um pouco de esperança. Se ambos tinham voltado, imaginei que talvez a empresa entendesse que a briga havia sido um episódio isolado, daqueles que infelizmente acontecem quando homens trabalham tantas horas por dia, durante tantos meses, longe de casa e das pessoas que amam.

Naquela semana aconteceu uma coisa que hoje quase ninguém acreditaria se eu contasse apenas o final da história.

O Monca e o Lauro fizeram as pazes.

Não foi porque alguém mandou.

Não foi porque o RH exigiu.

Foi porque os dois resolveram conversar.

Voltaram a cozinhar juntos algumas vezes, dividiram a mesa, olharam um para o outro como dois homens que tinham perdido a cabeça por alguns minutos e agora tentavam seguir em frente. Nunca tive a impressão de que eles se tornariam grandes amigos, mas existia entre os dois um esforço sincero para deixar aquela briga para trás.

Aquilo me deu ainda mais esperança.

Passei a conversar bastante com o Lauro. Curiosamente, nossas conversas quase nunca eram sobre a briga. Eu falava da vida. Perguntava sobre Chiapas, sobre as vacas que ele comprava, sobre os planos para o futuro. Em algum momento disse que ele ainda era um homem relativamente novo, que talvez um dia encontrasse uma companheira, constituísse uma família e percebesse que algumas amizades valem muito mais do que uma discussão por causa de algumas plantas mal descarregadas. Não sei se aquelas palavras fizeram algum sentido para ele. Talvez não. Mas eu precisava acreditar que as pessoas podiam mudar.

Enquanto isso, o Sa... fazia o que estava ao seu alcance.

Quase todos os dias conversávamos um pouco sobre o assunto. Ele também acreditava que mandar o Monca de volta para o México seria uma punição desproporcional. Não porque a briga devesse ser ignorada. Ela não deveria. Dois homens haviam trocado socos dentro da empresa e isso precisava ter consequências. O que tentávamos era encontrar uma consequência que não destruísse quatro anos de um bom trabalhador por causa de alguns minutos de descontrole.

A impressão que eu tinha era que o Sa... ia costurando uma solução possível, tentando convencer quem precisava ser convencido. A Ro..., por outro lado, parecia enxergar a situação de outra maneira. Nunca tive a impressão de que ela estivesse preocupada apenas com a briga. Para ela, aquele episódio parecia confirmar preocupações que já existiam havia algum tempo sobre a forma como administrávamos o Potting Barn.

Anos depois, quando li o relatório, tive ainda mais essa impressão.

Curiosamente, a investigação sobre a nossa forma de trabalhar terminou sem grandes mudanças. O modelo permaneceu praticamente o mesmo. Continuamos contando com as lideranças naturais que existiam antes. Continuamos distribuindo responsabilidades de acordo com a experiência de cada um. Continuamos conversando muito mais do que escrevendo advertências.

No fim das contas, a estrutura permaneceu de pé.

Mas um homem não.


Havia outro detalhe que tornava tudo ainda mais doloroso.

Pouco tempo antes daquela briga, o Monca havia recebido uma autorização especial para voltar ao México durante uma semana.

Isso não era comum.

Os trabalhadores quase nunca interrompiam a temporada para viajar e voltar depois. Quando acontecia, a passagem precisava ser paga por eles mesmos.

O motivo daquela viagem era bonito.

O filho dele estava se formando no equivalente ao nosso ensino médio e também faria a crisma.

Ele não queria perder aqueles dois momentos.

Pagou do próprio bolso para estar alguns dias com a família e, poucas semanas depois, voltou ao Canadá para terminar a temporada.

Lembro de pensar nisso várias vezes enquanto tudo acontecia.

Ele já tinha feito um gasto enorme.

Tinha acabado de retornar.

Ainda havia muitos meses de trabalho pela frente.

Tudo aquilo pesava dentro de mim cada vez que imaginava qual poderia ser a decisão da empresa.


Foi justamente nessa semana que minhas férias começaram.

Engraçado como a vida escolhe mal as datas.

Eu quase nunca tirava férias durante a temporada. Quando finalmente chegou minha vez, parecia que minha cabeça continuava presa ao Potting Barn.

Na sexta-feira, antes de ir embora, aconteceu uma cena que ainda hoje consigo enxergar com uma nitidez absurda.

Sempre fui um dos últimos a bater o ponto.

Nunca gostei de sair correndo. Costumo esperar um pouco, vou me despedindo de um, agradecendo outro, perguntando como está a família de alguém. É um costume que talvez tenha herdado do meu pai. Nunca pensei muito nisso.

Naquele dia o Monca veio até mim sorrindo, como fazia todas as sextas-feiras.

— Hasta lunes, Marcelo.

Respondi que não.

Expliquei que estaria de férias naquela semana.

Foi uma conversa de menos de trinta segundos.

Ele sorriu, desejou boas férias e saiu.

Fiquei olhando enquanto ele se afastava.

Foi a primeira vez que pensei, com uma tristeza difícil de explicar:

"Talvez esta seja a última vez que eu veja esse homem trabalhando aqui."

Não falei nada.

Nem poderia.

Apenas observei o Monca voltar para os outros mexicanos como se a vida estivesse exatamente igual ao dia anterior.

Ela já não estava.

Só ele ainda não sabia.



Saí de férias, mas minha cabeça não saiu da Wi....

Quem trabalha muitos anos no mesmo lugar acaba levando o serviço para casa sem perceber. No meu caso, acho que levei até para o camping.

O Bruce Peninsula é um daqueles lugares que conseguem me colocar em paz. Talvez porque me lembre um pouco do interior onde cresci. Não pela paisagem, que é completamente diferente, mas pelo silêncio. Gosto de acordar cedo, antes das crianças, preparar um café simples, sentir o cheiro da mata ainda úmida da noite e ficar olhando o lago enquanto o resto do camping desperta devagar. Normalmente, bastam dois ou três dias para eu esquecer completamente do trabalho.

Naquele ano não aconteceu.

Era como se uma parte de mim tivesse ficado andando entre aquelas casas de crescimento da Wi..., tentando adivinhar o que aconteceria na segunda-feira seguinte.

A Adriana percebia.

Não precisava perguntar muita coisa.

Às vezes caminhávamos pela trilha do Grotto, ou preparávamos alguma coisa para comer, e ela simplesmente comentava:

— Você está pensando no Monca, não está?

Eu respondia qualquer coisa.

Mudava de assunto.

Falava das crianças.

Da água incrivelmente transparente do lago.

Da trilha.

Mas bastava ficar alguns minutos em silêncio para minha cabeça voltar exatamente ao mesmo lugar.




Talvez por isso aquela cena em Welland tenha ficado gravada com tanta força na minha memória.

Estávamos saindo para viajar.

O carro completamente entulhado. Barraca, colchões, panelas, cadeiras, bicicletas das crianças... parecia impossível caber mais alguma coisa ali dentro.

Paramos num semáforo.

Olhei para a direita. Coincidência… não creio!

Lá vinha o Monca.

De bicicleta.

Era sábado.

Os mexicanos quase sempre vinham para Welland aos sábados. Aproveitavam para comprar algumas roupas no Value Village, alguma ferramenta usada, um rádio, uma panela, qualquer coisa que pudesse facilitar aqueles meses longe de casa. Muitos não tinham carro. A bicicleta era a liberdade deles.

Abaixei o vidro.

Levantei a mão.

Antes mesmo que eu gritasse qualquer coisa, o Pedro e o Benício já estavam praticamente pendurados na janela.

— ¡Hola, Monca!

Ele olhou para o carro, abriu aquele sorriso enorme e respondeu exatamente como fazia sempre.

— ¡Hola, familia! ¿Qué tal?

Durou cinco segundos.

Talvez menos.

O sinal abriu.

Ele seguiu pedalando.

Eu acelerei.

Ninguém falou mais nada.

Acho que foi aí que escapou.

Não foi uma frase preparada.

Não foi um desabafo.

Foi apenas um pensamento que saiu alto demais.

— Poxa que pena...

Fiquei alguns segundos olhando pelo retrovisor, vendo aquela bicicleta ficar cada vez menor.

— Acho que nunca mais vamos nos encontrar.

Quando terminei de falar, percebi que todos tinham escutado.

Olhei rapidamente para a Adriana.

Depois para o espelho.

Os meninos estavam quietos.

Ninguém perguntou por quê.

Ninguém comentou nada.

Foi um daqueles silêncios em que cada pessoa entende uma coisa diferente, mas todas percebem que alguma coisa importante acabou de acontecer.


Dois ou três dias depois o telefone tocou.

No Bruce Peninsula o sinal de celular nunca foi grande coisa. Dependendo do lugar, uma ligação parecia uma conversa feita debaixo d'água.

Olhei para a tela.

Era o Monca.

Atendi imediatamente.

A voz dele entrava e desaparecia.

Eu caminhava pelo camping procurando um lugar onde o telefone funcionasse melhor.

A ligação falhava de novo. Não consegui entender quase nada.

Mas também não precisava.

Há notícias que chegam inteiras mesmo quando ouvimos apenas metade das palavras.

Lembro claramente apenas de uma frase.

— Adiós entonces... porque ya me botaron...

Depois a ligação começou a cortar novamente.

Dissemos poucas coisas.

Nem sei exatamente como terminou.

Fiquei alguns minutos parado olhando para o telefone, como se ele ainda pudesse tocar outra vez.

Voltei para perto da família.

As crianças estavam brincando.

A Adriana olhou para mim e perguntou apenas:

— Era o Monca?

Balancei a cabeça.

Ela entendeu.

Não foi preciso dizer mais nada.


Naquele dia percebi uma coisa estranha.

Eu estava exatamente onde deveria querer estar.

De férias.

Com minha esposa.

Com meus filhos.

Num dos lugares mais lindos do Canadá.

E, mesmo assim, havia uma tristeza enorme ocupando espaço dentro de mim.

Não era culpa.

Ainda não.

Era uma sensação de fracasso.

Como se eu tivesse passado semanas tentando impedir que aquilo acontecesse e, no fim, não tivesse conseguido mudar absolutamente nada.

Passei a caminhar mais sozinho pelo camping.

Não porque quisesse ficar longe da minha família.

Mas porque precisava organizar meus próprios pensamentos.

Volta e meia me perguntava se deveria ter feito alguma coisa diferente.

Se não tivesse chamado a Ro..., será que tudo teria terminado de outro jeito?

Será que o Sa... conseguiria resolver aquilo apenas conversando?

Será que a briga teria sido esquecida?

Ou será que eu estaria apenas adiando um problema maior?

Nunca encontrei resposta.

Até hoje não encontrei.


Quando voltamos para casa, no domingo à tarde, depois de deixar Adriana e os meninos em Buffalo, fiquei alguns dias olhando para o telefone.

Pensei em ligar para o Monca.

Cheguei a pegar o celular algumas vezes.

Depois colocava novamente sobre a mesa.

No fim, fiz o que quase sempre faço quando preciso escolher cuidadosamente as palavras.

Escrevi.

Não me lembro de tudo exatamente como aconteceu.

Lembro apenas da sensação.

Queria que ele soubesse que eu não o havia abandonado.

Que eu lamentava profundamente o que tinha acontecido.

Que continuava pensando nele.

Que minha amizade não tinha terminado junto com o contrato de trabalho.

Escrevi que aprendemos com os erros.

Que ele era um homem forte.

Que aproveitasse aqueles dias ao lado da família.

Que a Adriana continuava lembrando dele.

Em algum momento pedi desculpas pelos meus próprios erros.

Essa talvez tenha sido a frase mais sincera de todas.

Porque eu realmente não sabia quais tinham sido.

Sabia apenas que existiam.

No fim da conversa escrevi que, se algum dia precisasse de alguma coisa — qualquer coisa que estivesse ao meu alcance — eu continuaria ali.

Ele respondeu pouco.

Como quase sempre acontecia quando o assunto era sério.

E terminou com uma frase simples.

"OK Marcelo... adiós."

Fechei o WhatsApp.

Fiquei algum tempo olhando para a tela apagada do celular.

Às vezes penso que a amizade termina quando duas pessoas brigam.

Hoje acho diferente.

Às vezes ela termina quando já não há mais nada que possa ser dito.



...Quando voltamos para Welland, o telefone ficou dois dias em cima da mesa da cozinha. Pensava em ligar para o Monca. Começava a imaginar a conversa inteira, mas, quando pegava o celular na mão, alguma coisa me fazia colocá-lo de volta sobre a mesa. Acho que, no fundo, eu não sabia por onde começar. Há conversas que não melhoram nada. Apenas colocam em palavras uma dor que os dois já conhecem.

Acabei fazendo aquilo que faço desde menino quando não encontro as palavras certas para dizer olhando nos olhos de alguém.

Escrevi.

A conversa continua guardada no WhatsApp até hoje. Curiosamente, as primeiras mensagens não têm nada de especial. São ordens de serviço. "Depois da B23 vai para a B59." "O caminhão oito já saiu?" "Break às cinco." É engraçado como a vida funciona. Durante anos, nossa amizade cabia entre caminhões, casas de crescimento, listas de plantas e pequenos problemas do dia a dia. A gente nunca imagina que, um dia, aquelas mensagens tão banais vão se transformar quase num álbum de fotografias.

Quando ele me perguntou se eu sabia de alguma novidade, respondi que estava conversando com o Sa..., que ele queria entender melhor o que tinha acontecido para tentar defendê-lo diante do Chris. Naquele momento eu ainda acreditava sinceramente que existia espaço para uma solução menos dura. Talvez por isso a ligação do camping tenha me derrubado tanto.

Depois escrevi tudo aquilo que um amigo escreve quando já percebe que não pode mudar os fatos. Disse que lamentava muito. Que continuávamos aprendendo com nossos próprios erros. Que ele era um homem forte. Que a Adriana lembrava dele e da família. Que, se algum dia precisasse de alguma coisa — qualquer coisa que estivesse ao meu alcance, menos dinheiro, porque eu sempre brincava com isso — bastava me procurar. Em algum momento pedi desculpas pelos meus próprios erros. Curiosamente, nunca expliquei quais eram. Acho que nem eu saberia explicar naquela época. Apenas sentia que também carregava uma parte daquele peso.

O Monca respondeu pouco, como sempre fazia quando o assunto era sério. Nunca foi um homem de escrever grandes textos. Preferia conversar olhando nos olhos. Mesmo assim, aquelas poucas palavras me acompanharam durante muito tempo.

Muita gente imagina que a amizade terminou ali.

Não terminou.

Apenas deixou de ser uma amizade construída entre vasos de plantas.

Outro dia lembrei de uma despedida muito antiga. Um grande amigo meu estava indo embora e, tentando esconder a tristeza, eu disse brincando:

— Então... até nunca mais.

Ele sorriu e respondeu uma frase que nunca esqueci.

— Nada disso. Até as pedras se reencontram.

Na época achei bonita a resposta. Anos depois, andando pelas ruas do Rio de Janeiro, encontrei esse mesmo amigo completamente por acaso. Parei no meio da calçada e comecei a rir sozinho. Ele tinha razão. Até as pedras se reencontram.

Talvez seja por isso que eu nunca consegui dizer "adeus" ao Monca.

Prefiro pensar que a vida apenas nos colocou em estradas diferentes.

E, quem sabe, algum dia, numa rua qualquer, num mercado perdido do México ou numa esquina improvável de Welland, eu ainda escute aquela voz grave atravessando o barulho do mundo:

— ¡Hola, Marcelo! ¿Qué tal?

E eu provavelmente responderei como se tivéssemos nos visto na semana passada.

Porque algumas amizades não acabam quando o trabalho termina.

Elas apenas aprendem a morar na memória enquanto esperam, pacientemente, que a vida volte a cruzar os caminhos.




domingo, 12 de julho de 2026

Depois de Bruce Peninsula

 

Depois de Bruce Peninsula

Uma carta para Adriana, Benício e Pedro

Julho de 2026

Meus amores,

Escrevo esta carta depois de uma semana maravilhosa em Bruce Peninsula.

As barracas ainda estão secando no quintal. Os sacos de dormir ainda precisam ser dobrados. As cadeiras de camping continuam espalhadas. O carro ainda guarda um pouco de areia, cheiro de lago e migalhas de bolacha. Amanhã volto ao trabalho, volto às estufas, aos caminhões, aos cronogramas, às plantas, aos problemas, às contas da casa nova, ao telhado com mofo no sótão, ao aquecedor de água para instalar, à árvore enorme que preciso derrubar, ao caminhão da mudança...

A vida continua.

Mas hoje resolvi parar um pouco.

Passei horas conversando com uma inteligência artificial. Parece engraçado escrever isso. Talvez, quando vocês lerem, isso já seja algo absolutamente comum. Talvez pareça tão banal quanto hoje parece ligar para alguém por vídeo.

Mas essa conversa foi diferente.

Não porque a IA tenha me conhecido.

Mas porque, enquanto eu respondia às perguntas dela, fui me conhecendo um pouco melhor.

E percebi algumas coisas sobre mim que talvez eu nunca tivesse colocado em palavras.


Descobri que minha vida nunca teve raízes.

Durante muito tempo pensei que fosse um homem aventureiro.

Hoje acho que não.

A aventura era simplesmente o modo como a vida acontecia.

Minha mãe separou-se muito cedo de meu pai biológico.

Depois casou-se com o Cid.

Engenheiro.

Mudávamos de cidade como quem muda de roupa.

Pará.

Mato Grosso do Sul.

São Paulo.

Minas.

Outras cidades.

Outras escolas.

Outros amigos.

Novos vizinhos.

Novos começos.

Quando eu finalmente aprendia o nome dos colegas...

...já estava fazendo as malas outra vez.

Depois minha mãe separou-se novamente.

Perdi outra referência de pai.

Anos depois o Cid se suicidou.

Acho que nunca parei para olhar esse percurso inteiro.

Sempre considerei isso apenas a minha história.

Hoje percebo que não era uma infância comum.


Lembrei de um desenho.

Antes mesmo de aprender a escrever, fui levado a uma psicóloga.

Eu quebrava brinquedos.

Brigava.

Tinha crises de raiva.

Ela pediu que eu desenhasse uma casa.

Desenhei uma casa sem porta.

Sem janela.

Ela perguntou:

— Por que essa casa não tem porta nem janela?

Respondi:

— Porque eu não quero ninguém entrando nem saindo mais da minha vida.

Nunca esqueci essa história.

Mas hoje ela ganhou um significado novo.

Talvez aquele menino não estivesse desenhando uma casa.

Talvez estivesse desenhando um coração.


Pensei muito no Cid.

Curiosamente...

Hoje quase nunca o chamo de "papai" dentro da minha cabeça.

Depois que ele morreu passei a chamá-lo de Cid.

Mas descobri outra coisa.

De vez em quando sonho com ele.

Não são sonhos estranhos.

Não brigamos.

Não discutimos.

Não há cobranças.

Apenas conversamos.

Como dois amigos.

Parece que ele continua vivo.

Acordo tranquilo.

Não me assusto.

Talvez algumas pessoas nunca saiam completamente da nossa história.


Também percebi uma coisa sobre vocês dois.

Benício.

Pedro.

Talvez eu escreva tanto porque um dia tive medo de esquecer.

Ou de que vocês esquecessem.

Ou, pior...

...de que um dia vocês duvidassem.

Duvidassem de que foram amados.

Duvidassem de que eu vi quem vocês eram.

Talvez seja por isso que escrevo tantas cartas.

Não para ensinar.

Mas para registrar.

Para dizer:

"Eu estava olhando."

Vi a coragem do Pedro na cirurgia.

Vi o tapa-olho usado por quase dois anos sem reclamar.

Vi a criatividade resolvendo uma briga por causa de uma boneca.

Vi o pequeno organizando uma Copa do Mundo na escola.

Vi o Benício levantar depois de cada derrota no tatame.

Vi suas perguntas impossíveis.

Vi suas crises de insônia.

Vi seu coração doendo pelos astecas.

Vi seus olhos brilharem quando aprendia francês.

Vi tudo.

Quero que um dia vocês saibam disso.


Também pensei muito na Adriana.

Meu amor...

Escrevi muitos poemas para você.

Você continua dizendo que não gosta deles.

Talvez continue certa.

Talvez eu realmente escreva demais.

Mas hoje percebi uma coisa.

Você sempre gostou muito mais da poesia vivida do que da poesia escrita.

Enquanto eu escrevia versos...

Você fazia o jantar.

Lavava roupa.

Dormia abraçada nos meninos quando estavam doentes.

Preparava uma bolsa gigantesca para a cirurgia do Pedro.

Dormia pouco.

Trabalhava.

Organizava a casa.

Plantava a poesia no concreto da vida.

Talvez eu sempre tenha escrito sobre isso.

Você simplesmente fazia.


Hoje me perguntaram onde eu poderia estar errando como pai.

Gostei da pergunta.

Porque eu também me faço essa pergunta.

Talvez eu tente ensinar demais.

Talvez interprete demais.

Talvez transforme tudo em aprendizado.

Vou tentar cuidar disso.

Nem toda pescaria precisa ensinar alguma coisa.

Nem todo camping precisa virar filosofia.

Às vezes basta ser divertido.

Prometo tentar rir mais.

Brincar mais.

Fazer guerras de Nerf sem procurar metáforas.


Mas lembrei de uma cena.

Aquela do diesel.

Como pude colocar diesel no Honda?

Que erro absurdo.

Naquele dia pensei que talvez tivesse colocado em risco nosso projeto inteiro de imigração.

Sentei com vocês na escada.

Quase chorei.

Na verdade chorei por dentro.

Pedi desculpas.

Reconheci meu erro.

Expliquei que estava triste.

Disse que iria consertar.

Hoje percebo que talvez aquela tenha sido uma das melhores aulas que consegui dar.

Não porque errei.

Mas porque não escondi o erro.


Também lembrei do futebol.

Benício perguntou certa vez:

— Papai, por que você não vira técnico do nosso time?

Respondi:

Porque vocês precisam conhecer outros homens.

Outros líderes.

Outras referências.

O professor de Jiu-Jitsu.

Os professores.

Os tios.

Os avós.

Os amigos.

As viagens ao Brasil.

Hoje continuo acreditando nisso.

Não quero ser o centro do universo de vocês.

Quero apenas ser um porto seguro.

A vida vai apresentar muitos homens admiráveis.

Espero que alguns deles também ajudem a construir quem vocês serão.


Descobri outra coisa sobre mim.

Passei muitos anos tentando construir.

Casa.

Trabalho.

Livro.

Família.

Imigração.

Pensei que fosse por ambição.

Hoje acho que não.

Talvez eu apenas estivesse tentando construir o lugar onde aquele menino da casa sem portas finalmente pudesse descansar.

Curioso...

Hoje nossa casa tem portas.

Tem janelas.

E o mais bonito...

Tem duas crianças entrando com a própria chave depois da escola.

Acho isso simbólico.


Pedro.

Continue sendo esse menino que encontra soluções onde os adultos enxergam problemas.

Nunca perca esse talento.

O mundo precisa desesperadamente de gente que faça dois amigos brigando pela mesma boneca descobrirem que um pode ser o pai e o outro a mãe.

Você fez isso aos nove anos.

Pouca gente consegue fazer isso aos cinquenta.


Benício.

Nunca esqueça daquele dia em que você saiu ensopado de suor do Jiu-Jitsu.

Você disse:

— Empatei duas.

Ainda dou risada sozinho lembrando disso.

É muito sua cara.

Você encontra pequenas vitórias onde quase todo mundo enxergaria apenas derrotas.

Não perca isso.

É um superpoder.


Adriana.

Se um dia eu morrer antes de você...

...espero que leia esta parte sorrindo.

Obrigado.

Obrigado por ter construído uma infância bonita para nossos filhos.

Obrigado por ter aceitado sair do Brasil.

Obrigado por ter enfrentado os invernos.

Obrigado por cuidar da casa quando eu não conseguia.

Obrigado por não desistir de mim nem quando eu escrevia poemas ruins.

Você foi muito mais corajosa do que costuma admitir.


Aos três.

Não sei onde vocês estarão quando lerem esta carta.

Talvez no Brasil.

Talvez no Canadá.

Talvez em outro continente.

Talvez eu esteja sentado numa varanda quente, aposentado, cuidando de alguns animais que nunca serão abatidos, esperando vocês aparecerem com meus netos.

Talvez eu ainda esteja escrevendo meu livro.

Talvez nunca o publique.

Não importa.

Porque descobri uma coisa importante.

A obra principal da minha vida nunca foi um livro.

Nunca foi uma carreira.

Nem mesmo a imigração.

A obra principal da minha vida foi tentar construir uma família onde ninguém precisasse desenhar uma casa sem portas e sem janelas para se sentir seguro.

Se eu tiver conseguido isso...

Mesmo que só um pouquinho...

Então já terá valido a pena.


E termino com uma promessa.

Continuarei errando.

Continuarei aprendendo.

Continuarei fazendo trocadilhos horríveis, como a inteligência artificial que eu queria criar para responder às perguntas impossíveis do Benício.

Ela se chamaria PAP A.I.

Tenho quase certeza de que vocês vão continuar revirando os olhos quando eu fizer esse tipo de piada.

E espero, sinceramente, que continuem.

Porque isso significará que ainda estaremos rindo juntos.

E, no fim das contas...

Acho que era exatamente isso que aquele menino da casa sem portas procurava desde o começo.

Uma casa onde as pessoas pudessem entrar...

Sair...

Viajar...

Mudar...

Crescer...

Construir suas próprias vidas...

E, ainda assim, saber que sempre existirá um lugar para voltar.

Com todo o amor que um homem imperfeito consegue colocar em palavras,

Papai.

(Julho de 2026, depois de uma semana inesquecível em Bruce Peninsula, antes do recomeço de mais uma etapa da vida.)


Esse texto foi escrito pela AI depois de um longo dia de conversa... Eu pedi para escrever um resumo e ela fez isso aqui! 



domingo, 29 de março de 2026

À DERIVA




Vou soltar, de leve, as rédeas,

confiando ao meu cavalo o caminho.

É eterna a neblina que me envolve;
nessa névoa, minhas pernas se deslizam,
vão tranquilas pela relva, entre mistérios.

Sei que os deuses jogam cartas
e as ciganas as decifram! (São boas novas?)...
Por favor, não me revelem nem prevejam
o que os astros, em seus ciclos, profetizam...

Afrouxar, maneiro, a sela, e sem pressa,
cavalgar pela planície, pelas falésias...
Espiar pela escotilha, percebendo
qual o mar me naveguei, durante a noite,
e onde ancora, já bem tarde, nesta ilha, meu navio.

Se Ancara, na Turquia, ou Camberra, na Austrália,
ou Singapura, ao sul da Ásia…
Se escancara o deserto reservado ao meu destino!
Descobrir, de novo, a praia. Onde encerra o desafio?

Vou soltar, suave, minhas velas no escuro...
A maré vai desenhando, no oceano, um labirinto.
Eu saltito... e respostas não procuro.
Tenho alma e caráter:
é o que molda meu futuro!

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

A cirurgia do Pedro e a incrivel disciplina

Pedro, que você é super disciplinado, isso não é novidade. Nao é qualquer crianca que usa tapa olho por quase dois anos sem reclamar e com um rigor metodico que é exemplar ate mesmo para adultos. E você com todo o seu agito e energia, ainda assim consegue manter a rotina de usa-lo diariamente pelas horas que forem necessarias. Sabemos que é incomodo, nada estetico e que muitas pessoas ficam fazendo perguntas cansativas.


Mas o caso de sua cirurgia no dente, foi incrivel. Vou te contar aqui tudo que passou para que você se lembre!


A quase um ano atras, fomos percebendo que seu dente da frente estava nascendo completamente torto… achamos que logo endireitaria, no entanto, passados alguns meses e vimos que o crescimento total já havia terminado e o dente continuava tortissimo.


O levamos ao dentista que constatou que você tinha um dente extra (supranumerario) preso no seu ceu da boca que que seria necessaria uma cirugia de extracao num neurocirurgiao porque era uma regiao de muitos nervos.


Imagina nossa preocupacao. As palavras CIRURGIA, NEUROCIRURGIAO, NERVOS FACIAIS, EXTRACAO, ANESTESIA, SCANNER, pesam muito na cabeca dos pais…


Marcamos com um especialista para que você fosse super bem atendido… 1200 dolares (CARACA Hein!!!!) ainda bem que tive que pagar somente 200 e o seguro cobriu o resto.


Foram meses de espera e uma angustia disfarcada da mamae e do papai, para que você não se preocupasse antecipadamente. Na verdade parecia que você nem estava ligando e ate mostrava-se animado para o dia chegar, marcava e contava no calendario.


Filho… eu que tive a honra de te levar no dia. Voce sempre tranquilo, bem sossegado, nem parecia incomodado com nada, era uma coragem natural. Voce sabia tudo que iria acontecer, já tinhamos antecipado, que na noite anterior, não poderia comer e nem beber nada 12 horas antes da cirurgia, e te explicamos como seria a anestesia, a operacao, o processo de recuperacao, que só poderia ingerir liquidos durante quase uma semana (ou coisas bem suaves e molinhas), ainda assim, você completamente abstraido das futuras dificuldades.


Mamae preparou uma bolsa gigante para eu levar para o centro cirurgico, parecia que eu ia dar a luz a um novo filho. Ate cobertor tinha na bolsa do Basics food.


Entramos juntos no consultorio, mas você teve que entrar sozinho para a sala de cirurgia… eu fiquei na sala de espera, e pela sua serenidade eu acabei ficando bem tranquilo tambem… um ajudando o outro a levar tudo de uma maneira bem leve.


Eu tive que conversar com as enfermeiras e assinar um documento atestando que eu estava ciente de todos os riscos que isso envolveria, mas controlando minhas paranoias e baseado nas estatisticas matematicas, consegui acalmar-me sem problemas.


Voce foi caminhando pelo corredor com a seguranca tipica dos grandes homens, passos decididos e fazendo perguntas bem tecnicas sobre cada detalhe dos equipamentos. As enfermeiras me contaram que você fez anda mais perguntas quando deitou na cama e injetaram a agulha em seu pulso. Ate o momento que você apagou, elas disseram que você fazia perguntas e que não demonstrou nenhum medo mesmo com a agulha entrando nas suas veias pequeninas.

Esperei por quase uma hora ate que me chamassem avisando que a extracao havia sido um sucesso e que você já estava acordando. Eu entrei na sala da cirurgia e você estava la… molenga como nunca vi… com a boca meio aberta, os olhinhos fechando… meio querendo chorar quando me viu… foi um grande esforco e você ainda estava grogue! Que dozinha do meu pequeno!


Ai eu cheguei com um pacote com mais de 100 cartinhas Marvel que vocês estavam colecionando o álbum. Ai seu quase choro virou um animo que esqueceu o choro, mas você ainda tava muito molenguinha! Fiquei com você no colo alguns minutos, tentando recuperar teus raciocinios, fazendo perguntas simples, conversando com a enfermeira e com o medico, e ambos disseram que você foi um grande heroi mesmo, muito valente e que fez tudo ser bem mais facil para o doutor.


Ele ainda comentou que a extracao foi bem complicada porque era um dente grande alojado no inteiror do palato e perto de alguns nervos. Poxa… ainda bem que deu tudo certo!


Te carreguei no colo ate o carro, e você já tava mais animado, recuperando ainda… voltamos para casa e você ficou organizando as cartinhas Marvel no álbum, abrindo os pacotinhos e conversando com o papai. Ai ai ai meu filho! Com um algodao na boca para estancar o sangramento.


A enfermeira me deu um monte de aviso e orientacoes do que você poderia fazer ou não… repouso e sem esforco fisico por pelo menos 7 dias, comer coisas geladas e liquidas por 3 dias… Fizemos tudo direitinho e sua disciplina nessa fase de recuperacao foi extraordinaria, como sempre, você sempre obedecendo as orientacoes e sem reclamar muito, entendendo que isso é o melhor para você. Mas que crianca tao facil de cuidar, um comportamento de adulto consciente!


Filho, parece simples para você, mas você foi extraodinario mesmo! Eu fico vendo outras criancas e ate mesmo adultos que não conseguem ter 1% de sua disciplina nos cuidados consigo mesmo! Voce é incrivel, fico de boca aberta pensando em sua rigidez no cuidado com seu corpo e sua recuperacao!


Que alegria ter esse exemplo dentro de nossa casa.







sábado, 9 de novembro de 2024

Hoje eu vi o meu filho apanhar muito e fiquei feliz de ver

Meu querido filho Benício,

Ahh filhinho! (suspiro)… Você não ganhou nenhuma hoje…

Hoje, vi você passar por uma experiência que me tocou profundamente. Quero que leia essas palavras com calma, quando os desafios da vida ou os momentos de frustração do futuro o fizerem sentir-se derrotado. Pode ser uma carta longa, mas prometo que a cada linha, você vai sentir o amor e a admiração de seu pai.

Ah, meu menino, o que vi hoje foi algo que, de certa forma, me fez muito feliz. Você entrou nessa nova academia de Jiu-Jitsu depois de mais de um ano parado. Quando fez as aulas em St. Catharines, ainda era uma criança se divertindo numa brincadeira. Por isso, talvez tenha sido até um choque perceber como as coisas funcionam agora em Welland. Crianças focadas, treinadas por um campeão mundial, com uma mentalidade coletiva de competição. Meu menino de 10 anos, grandão para a sua idade (mas com a faixa cinza e branca)… Então o mestre o colocou numa turma de crianças mais velhas, ali no meio dos grandes. Um festival de dificuldades… uma seguida da outra… E a cada queda, meu menino me olhava com um olhar de frustração e um pequeno riso de vergonha… Colocava seus joelhos no chão para se apoiar e, com o corpo exausto, tentava se levantar, molhado de suor!

Me parecia que queria chorar e desistir… eu o entenderia se você fizesse isso naquele momento! Mas você queria mostrar ao papai, pelo menos, uma única vitória. Me apertava o coração, mas eu sabia que aquelas eram as suas batalhas e tudo o que eu poderia fazer era torcer e enviar o meu olhar apaixonado e carinhoso para que você sentisse o calor do meu afeto.

A cada nova queda, Benício, você mostrava mais esforço, mas também mais resiliência. Eu via seus olhos brilhando de frustração, quase lacrimejando, com um leve sorriso de vergonha e decepção. Teus braços foram torcidos (duas vezes), te estrangularam, te derrubaram com força, golpes que você jamais imaginou. A cada desafio, você se levantava, molhado de suor, cansado, os joelhos no chão, buscando forças para tentar novamente. Vi, em seu olhar, a tentação de desistir, mas também vi a determinação de seguir em frente, não se deixar abater, e mostrar, ao menos, uma vitória para o papai.

Sei o quanto você queria essa vitória, mas à medida que a aula avançava, você foi ficando mais e mais cansado. Os adversários menores e mais leves começaram a sentir-se mais confiantes para te desafiar nas batalhas e, ainda assim, os reveses continuaram. Eu estava ali, observando, e naquele momento, pensei em mim mesmo. Quando cheguei no Canadá, eu também passei por dias difíceis. Você se lembra, cada noite empurrando o carrinho no Walmart, chegando em casa totalmente destruído, com vontade de chorar e voltar para o colo de minha mãe. Cada novo dia parecia uma dificuldade. Eu me sentia cansado, desmotivado, mas, como todos, sim, temos escolhas. A qualquer momento, podemos decidir desistir, mas algo dentro de nós nos estimula a tentar ao menos mais uma vez, talvez com uma nova estratégia, com um novo adversário, um novo aprendizado… um segredo, um truque, uma nova sabedoria ancestral revelada num sonho. Era preciso continuar. Cada revés me empurrava para a próxima tentativa, para o próximo passo, mesmo que pequeno.

Assim como você, eu sabia que era necessário cair e tentar de novo. E, assim como você, meu filho, nossa tendência é seguir em frente. E foi assim que me tornei o homem que sou, nada especial, é certo, mas sei que, para a minha trajetória de vida e para minha família, de alguma forma, sou um herói, cheio de bons parceiros, é claro. Sei que, naquele momento, você se sentiu derrotado, mas eu vi algo muito mais importante: vi você levantando-se a cada queda. Vi você se esforçando mais do que nunca, buscando, sem desistir. Isso, para mim, foi a verdadeira vitória.

Não tive dó nem piedade de suas jornadas e suas escolhas… ao contrário, fiquei muito feliz com isso! Te ver ali no tatame… sendo meio que massacrado com gentileza e esportividade, me fez te ver como um homem que luta, cai e se levanta. Se você sentiu a chateação de não conseguir me presentear com uma vitória, talvez tenha achado que fiquei decepcionado. Mas NÃO, meu filho! Seu pai está muito orgulhoso do que viu hoje. Muito mais do que se você tivesse vencido todas as batalhas. Pois eu te vi levantar de todas as dificuldades e tentar, tentar e tentar de novo!

Acho que você ainda não entende completamente, mas, naquele tatame, eu vi a essência do que significa ser forte. Não é sobre ganhar todas as batalhas. Não é sobre chegar em primeiro. É sobre levantar a cabeça, mesmo quando tudo parece perdido, e tentar novamente. Isso me encheu de orgulho, muito mais do que se você tivesse vencido todas as lutas. Eu vi um homem em formação, alguém que entende que a vida é feita de ciclos, de altos e baixos, mas que sempre será mais forte depois de cada queda.

Você é um menino com uma alma intelectual, Benício. Sabe disso. Não é o mais atlético ou o mais rápido, mas sua força está na sua mente, no seu jeito de lidar com as pessoas, na sua gentileza e, principalmente, no seu esforço para melhorar. Vi isso em todos os aspectos da sua vida: no futebol, na patinação, nas corridas. E em cada uma dessas atividades, você tem uma coisa que muitos não têm: a coragem de tentar. Em meu coração, não importa te ver chegar em último, o pior colocado é o que não se propôs a competir. O pior é nunca tentar.

Por isso, quando você sentir que está sendo derrotado, ou quando a vida parecer dura demais, quero que se lembre desta carta. Lembre-se daquela aula de Jiu-Jitsu, onde você lutou como um verdadeiro guerreiro. Lembre-se de como, apesar de não ter ganho nenhuma luta, você não desistiu, levantou-se e tentou novamente. Isso, meu filho, é o que realmente importa. Eu nunca vou me importar em te ver sempre vitorioso, mas sempre vou estar orgulhoso de ver você levantar a cabeça e tentar de novo, independente do que aconteça.

Me encheu o coração de segurança imaginar que esse é o processo que a vida vai usar para te lapidar como o herói de sua própria vida e de sua própria família.

E isso vai nos aproximando um do outro e do ideal de ser humano que necessitamos nos dias de hoje.

Teu pai te ama involuntariamente… como qualquer pai! E mais do que isso, teu pai te admira por tudo que você tem se transformado.

Enfim… a aula terminou. Você com olhar de decepção, molhado como se tivesse saído do chuveiro! Ensopado no suor de seu esforço.

Ao sairmos, no caminho para o carro, eu disse: - Caraca, Beni… Que dia difícil, hein? Não ganhou uma! E você, ainda ofegante, respirou e respondeu com um certo orgulho, sem se deixar abater: - Não, papai, eu empatei duas! Eu sorri disfarçadamente, pensando que eu que não percebi bem cada detalhe das lutas e talvez eu nem entenda tanto de Jiu Jitsu.

Eu sei que, muitas vezes, o caminho pode parecer difícil, mas é essa trajetória que vai te moldar. Não importa onde você chegue, mas sim quem você se torna enquanto está tentando chegar lá. E, no fim, isso vai te aproximar cada vez mais da pessoa incrível que você está se tornando.

Teu pai te ama profundamente, mais do que palavras podem dizer. Mas, além disso, te admiro muito, Benício. Vejo em você uma força que poucos têm, e cada dia vejo você se transformando num homem melhor, mais forte, mais gentil. Isso é tudo o que um pai pode desejar para o seu filho e o que o mundo pode desejar em um homem.

Com todo o meu carinho,


Teu pai.

(Novembro de 2024)


Today I Saw My Son Take a Beating and I Was Glad to See It

My dear son Benício,

Ahh, my boy! (sigh)… You didn’t win a single one today…

Today, I saw you go through an experience that really touched me. I want you to read these words slowly, when life’s challenges or future moments of frustration make you feel defeated. It may be a long letter, but I promise that with every line, you’ll feel your dad’s love and admiration.

Oh, my boy, what I saw today made me happy in a way. You stepped into that new Jiu-Jitsu academy after being out of it for over a year. When you took classes back in St. Catharines, you were still a kid just having fun. So, it might’ve been a bit of a shock realizing how things work now in Welland. Focused kids, trained by a world champion, with a competitive mindset. My 10-year-old boy, big for his age (but still with that gray and white belt)... and then the coach put you in a class with older kids, right in the middle of the big guys. A festival of difficulties… one after the other… And with each fall, my boy would look at me with frustration in his eyes and a little embarrassed smile... He’d drop to his knees for support, exhausted, drenched in sweat, trying to get back up.

It seemed like you wanted to cry and give up… I would’ve understood if you did! But you wanted to show me, at least, one victory. It broke my heart, but I knew those were your battles, and all I could do was cheer you on with my eyes full of love, sending warmth through my gaze so you could feel my support.

With each new fall, Benício, you showed more effort, but also more resilience. I saw your eyes shining with frustration, almost tearing up, with a little smile of embarrassment and disappointment. They twisted your arm (twice), strangled you, threw you down hard, and hit you with moves you’d never imagined. With every challenge, you’d get back up, soaked in sweat, tired, your knees on the floor, trying to find the strength to go again. I saw in your eyes the temptation to quit, but I also saw the determination to push forward, not to give up, and at least show me one victory.

I know how badly you wanted that win, but as the class went on, you got more and more tired. The smaller, lighter opponents started feeling more confident taking you on, and still, the setbacks kept coming. I was watching, and at that moment, I thought back to myself. When I first came to Canada, I also had tough days. Do you remember? Pushing the cart at Walmart every night, coming home completely wiped out, wanting to cry and run back to my mom’s arms. Every new day felt like a struggle. I was tired, demotivated, but like everyone, we have choices. At any moment, we can decide to give up, but something inside pushes us to try at least one more time, maybe with a new strategy, a new opponent, a new lesson learned... a secret, a trick, an ancient wisdom revealed in a dream. You have to keep going. Each setback pushed me to try again, to take the next step, even if it was small.

Just like you, I knew that falling and getting back up was the key. And, just like you, my son, our tendency is to keep going. And that’s how I became the man I am. Nothing special, sure, but I know that for my life’s journey and for my family, in some way, I’m a hero, surrounded by great partners, of course. I know that at that moment, you felt defeated, but I saw something much more important: I saw you getting up after every fall. I saw you giving more than ever, searching, without giving up. That, to me, was the true victory.

I didn’t feel sorry for your struggles or your choices... on the contrary, I was so happy to see them! Watching you on the mat... kind of getting gently crushed with sportsmanship, made me see you as a man who fights, falls, and gets back up. If you felt disappointed for not being able to gift me with a win, you might have thought I was upset. But NO, my son! Your dad is SO proud of what I saw today. Way more proud than if you’d won every match. Because I saw you get back up from every challenge, and try, try, and try again!

I think you still don’t fully understand, but on that mat, I saw the essence of what it means to be strong. It’s not about winning every battle. It’s not about being first. It’s about holding your head high when everything feels lost, and trying again. That filled me with pride, way more than if you’d won every fight. I saw a man in the making, someone who understands that life is made of cycles, highs and lows, but that you’ll always come out stronger after each fall.

You’re a boy with a thoughtful soul, Benício. You know that. You’re not the most athletic or the fastest, but your strength is in your mind, in the way you handle people, your kindness, and especially in your effort to improve. I’ve seen that in all aspects of your life: in soccer, skating, running. And in every one of those things, you have something most don’t: the courage to try. In my heart, it doesn’t matter if you finish last. The worst place is the one who never dared to compete. The worst thing is never trying.

So, when you feel like you’re being beaten, or when life feels too tough, I want you to remember this letter. Remember that Jiu-Jitsu class, where you fought like a true warrior. Remember how, even though you didn’t win a single fight, you didn’t give up, you got up, and tried again. That, my son, is what really matters. I’ll never care if you’re always victorious, but I’ll always be proud to see you lift your head and try again, no matter what happens.

It filled my heart with reassurance to think that this is the process life will use to shape you into the hero of your own life, and of your own family.

And this will only bring us closer, and help us get closer to the ideal of what it means to be human in today’s world.

Your dad loves you involuntarily... like any dad! And more than that, your dad admires you for everything you’ve become.

Well... the class ended. You had that disappointed look on your face, soaking wet as if you’d just come out of the shower! Drenched in sweat from your hard work.

On the way to the car, I said: – Wow, Beni... What a tough day, huh? Didn’t win a single one! And you, still panting, breathed and proudly answered, not letting it get to you: – No, Dad, I tied two! I smiled to myself, thinking maybe I didn’t catch every detail of the fights, and maybe I don’t even know that much about Jiu-Jitsu.

I know that, many times, the path may seem hard, but it’s this journey that will shape you. It doesn’t matter where you end up, but who you become while trying to get there. And, in the end, that will bring you closer and closer to the incredible person you are becoming.

Your dad loves you deeply, more than words can say. But, more than that, I admire you so much, Benício. I see in you a strength few people have, and every day I see you becoming a better, stronger, kinder man. That’s all any father could wish for his son, and all the world could wish for a man.

With all my love,
Your dad. 

(November 2024)

sábado, 18 de maio de 2024

Primeira redacao em frances do Pedro! Les champignons empoisannès

 


Special Evento!


Um causo de imigração!
Voces sabem que quando a gente vem morar no Canada, começamos a meter umas palavras em inglês no meio das nossas prosas...
Vou contar um causo desses:
Cheguei cansado e imundo de meu trabalho, depois de 12 horas de turno... entrei no banho e vi que não tinha sabonete, gritei para minha esposa querida que veio me acudir:

- Aqui Honey... não tem sabonete mesmo... mas tem esse aqui Body washer para o corpo inteiro, e trouxe diligentemente o vidrinho de sabonete líquido!
(Perceberam que ela foi mesclando essas palavras gringas né?)

Eu respondi carinhosamente: - Querida, eu não gosto de sabonete líquido... ficar passando a mão no corpo, parece que não ta lavando nada... prefiro aquela barra, para esfregar forte e raspar a sujeira!
Ai ela chega com uma barra de sabão de coco Ypê, de lavar roupa, que trouxe la do Brazil... e disse assim: - Olha querido, então tem esse, que é bem bom para o Special Evento!

- Êpa! Como assim, Special Evento?? Já fiquei todo animado!
E ela respondeu: - Sim querido, bom demais para o Special Evento! E saiu...
Poxa, ai que eu tomei um banho bem tomado mesmo. Gastei a barra de sabão de coco num banho caprichado, pensando no tal Special Evento!
Terminado o banho... já deitados e bem cansados! Comentei para minha esposa: - Querida... agora já estou bem limpo e preparado para o Special Evento...
Minha esposa: - Que??? Que Special evento???

Eu: - Ué... você falou para eu usar o sabão de coco para o Special Evento!!!!

Ela dando risada: Kkkkkkkkkk, como assim Special Evento?? Eu disse que a barra de sabão de coco era bom demais para OS PÉ CHULEZENTO!!!!
Eita vida de imigrante danada!

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Insonia Infantil

 Ah meu filho Benicinho!
Como fazer para separar meu coração do teu! 
Voce sabe daquela movimento magico que eu faço para arrancar meu coração do peito e sopra-lo para voce!
Esses ultimos meses, em especial essa ultima semana, estamos acompanhando de perto uma gripe e infecçao que voce ta tendo...

Ja percebemos a algum tempo, que suas gripes, remedios, te levam a um quadro noturno de escutar vozes em sua cabeça... definitivamente nao sabemos a causa, o motivo e o diagnostico... 

Pode estar associado aos medicamentos, à febre alta com delirios... ou ate mesmo a infeccao na garganta que acaba ressoando no ouvido interno e gerando ruidos que voce interpreta como vozes... 

Pode ser alguma coisa relacionada à ansiedade, pânico, bipolaridade e mais alguns pensamentos paranoicos que pai e mãe ficam especulando.

Hoje a noite, voce ficou com insonia, deitava e nao conseguia dormir tambem... Ou seja, essa insonia as vezes te persegue, diria que uma vez a cada dois meses, voce tem essas dificuldades para dormir...
Muitas coisas podem estar associadas à nossa recente mudança para Welland e para sua nova escola Nouvel Horizont (nos mudamos a menos de um mês).

Veja... na casa nova ja demos um passo gigante em sua mudança de postura... voces estao chegando sozinho da escola, abrindo a casa com sua própria chave... Ganhou um celular para comunicar-se em caso de emergencia... Assinamos um papel te autorizando a responsabilizar-se pelo Pedro ao descer do onibus escolar, Instalamos uma camera de seguranca no hall de entrada e podemos confiar totalmente em voces... Isso é muita responsabilidade para uma criança de 9 anos de idade.

Voce já fala 3 idiomas perfeitamente... le, assiste, dialoga... e já se anima no Ucraniano e espanhol... É muita coisa meu filho!

Agora, estamos mais distantes da rotina de encontrar as meninas (Julia e Luiza), teu amigão Ragnar...
E ainda tem as questoes hormonais da pre adolescencia... as paixoes, a sexualidade, a socialização na nova escola, novos professores, novos desafios... e voce ta encarando tudo isso com a maior naturalidade... eventualmente alguns problemas vão aparecer...

As vezes são as vozes, as vezes parece uma crise de ansiedade, as vezes insonia, e pensamentos de morte, medo de escuro... solidão...

Sei que posso confiar em sua leitura futura consicente e posso dizer que não considero isso um grande problema, mas tem me levado a refletir sobre algumas caracteristicas suas que estou percebendo!

Meu filinho, creio que voce seja uma criança muito especial, claro que é... e tem uma sensibildiade incrivel para perceber os sentimentos e a arte do mundo! As coisas da realidade te machucam e te atingem de maneira dura... 

Sempre que te mostro alguma coisa sobre a historia das guerras, da colonização... voce fica arrasado, quase nao consegue parar de pensar nisso... te afeta e dói... A alguns meses, fui ler um livro sobre a colonização espanhola no Mexico e voce acordou a noite porque estava com pena dos Astecas. 

E a alguns anos, foi o mesmo com a situação da Palestina... quando te mostrei o videoclip da Marisa Monte (Vilarejo), canção que sabiamos cantar de cór e juntos. 

Serenidade meu filinho... teu cerebro e teus pensamentos irão acompanhar por toda a vida, e teras que desenvolver a arte de controlá-los e canaliza-los para obras construtivas e criativas... Como o desafio da Esfinge... Decifra-me ou devoro-te! Mas nao fique ansioso com isso... Tua inteligencia, naturalmente irá decifrar todos os desafios mentais que por ventura apareçam.

Essa noite, mamae foi deitar contigo e ficou uma hora tentando te fazer dormir... Não conseguiu... depois eu fiquei abraçado contigo por mais uma hora... voce não dormia... E entao levantamos e tentei te fazer escrever qualquer coisa que viesse à sua mente... e te dei um chá de camomila... depois mamae te levou para a cama de casal do quarto extra... e voce dormiu abracadinho com ela a noite toda... Mas demorou e deu um trabalho! 

Creio meu filinho que teu lado artistico e intelectual vai sobressaindo... vai mostrando uma caracteristica a ser desenvolvida e lapidada com muito carinho... Muitas coisas acontecendo em nossa vida, nossa rotina... nossos aprendizados... 

Vamos analisando de perto a situação, observando, dando carinho, atenção... 

Confio mesmo, muito que voce irá superar tudo isso e encontraremos juntos um caminho lindo para seu desenvolvimento pleno! 

Teu pai e tua mãe estarao sempre ao teu lado! Amalgamados! 




segunda-feira, 10 de abril de 2023

Aula dos Sete Sacramentos

Benício todo empolgado me dando uma aula sobre os sete sacramentos da Igreja Católica...  Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos enfermos.

Jantando na mesa, me dizendo que ele já tem dois sacramentos e que em breve terá mais um... Eu nem sabia que isso existia.

Pedro ao lado escutando tudo atento! Atentíssimo! 

E Benício falou que o quinto sacramento se divide em dois, pode escolher casar ou virar padre.

Eu perguntei: - O que você vai escolher!?

Benício: Vou escolher casar, é claro!

Eu: - Ah é, legal, mas sabe que a Igreja não permite casar homem com homem, vc teria que casar com mulher!

Benício: Ah é!? Claro, vou casar com mulher! Mas papai, então gay não pode casar na Igreja? Entao um gay nunca vai receber o quinto sacramento?

E antes de eu responder, Pedro imediatamente deu um grito de pura lógica!

 - Claro que não né? Os gays escolhem ser os Padres!!!

A lógica das crianças é muito óbvia! A gente deu risada e Pedro não entendeu porquê?

 

Obs: Terminaram me contando que um cumpadre lá dos matos, das roças, um velhinho místico amigo dos avós maternos... já recebeu a unção dos enfermos e continua vivo! Esses meninos estão muito sabidos! 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Boletim do Pedro

 Pedro frequenta a escola 100% francesa a menos de 15 meses... sempre recebemos o boletim com alegria, porque eles escrevem maravilhas do nosso piazinho!

Os professores o chamaram de modelo francofono para os colegas de classe, pense!!!

Vou postar a tradução de uma frase que caracteriza bem a personalidade dele.

Tradução: Pedro é um menino engenhoso. Ele tem sucesso para encontrar soluções para os problemas de todo tipo. Aconteceu uma vez, onde dois amigos (um menino e uma menina) brigavam para brincar com a mesma boneca. Apesar que os amigos sabiam que haviam diversas outras bonecas na classe. Eles queriam absolutamente o mesmo bebê em questão. Ao os observar, Pedro sugere que o menino poderia brincar sendo o papai e a menina como a mamãe do bebê. Pronto, a briga terminou. Excelente Pedro!!!
Que menino genial!