Meus meninos, eu queria que meu pai tivesse me contado esta história — que acabei tendo de aprender, em parte, sozinho.
E que agora tento contar a vocês.
Talvez vocês não a escutem com muita atenção. Talvez ainda não seja o momento.
Mas ela ficará guardada, esperando a estação certa, como uma semente.
Eu gostaria de tê-la ouvido de alguém que eu admirasse, como aquelas histórias contadas à beira de uma fogueira mansa.
Era um jardineiro experiente.
Agachado em seu banquinho, aproximou-se do filho pequeno, que o ajudava a limpar as ervas dos canteiros floridos.
Tarefas simples, para dedos pequeninos.
Imitando o pai, joelhos leves dobrados, arrancava dentes-de-leão. Mas passava muito mais tempo soprando aquelas pequenas bolas de algodão do que realmente limpando alguma coisa.
O pai ia falando:
— Veja, filho... Toda semana é a mesma coisa: as sementes das ervas daninhas chegam com o vento. Escondem-se nas frestas da terra, enterram-se e esperam o momento certo para crescer. Às vezes alguém distraído pisa numa flor delicada.
Enquanto falava, regava delicadamente as raízes de uma plantinha murcha.
— E nós estamos aqui, atentos e pacientes, com nossa enxadinha, escolhendo o que fica e o que sai. Arrumando, podando, dando espaço para que cresçam as margaridas, os lírios, as rosas e os cravinhos. Podando os arbustos para deixar o sol alcançar as menores. Cortando alguns galhos secos das árvores maiores. Recolhendo as folhas caídas.
Fez uma pequena pausa e contemplou o canteiro.
— É assim a vida. Às vezes os jardins ficam tão abandonados que exigem muito suor e dedicação para voltarem a florescer.
Sorriu.
— Mas um pouquinho a cada dia.
— E, no final, vem o prazer de sentar à sombra e contemplar o resultado do trabalho... e da vida que fomos cultivando.
Então olhou para o menino.
— Assim também somos nós, meu filho. Como esses jardins.
Ficou em silêncio. Observou os dedinhos do menino cobertos de terra e sorriu.
— Você já trabalhou bastante por hoje. Agora vá brincar. A sementinha já foi plantada.
E o menino saiu correndo, feliz, atrás das borboletas.
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